“Eu creio no cristianismo, assim como creio que o sol se levantou; não porque eu o vejo, mas porque por ele vejo todas as demais coisas”.

terça-feira, 3 de maio de 2011

O EX-CADÁVER COMO VANGUARDA DAS “IMPOSSIBILIDADES”

Leiam logo abaixo a maravilhosa reflexão sobre a nossa ex-condição de desgraçados! viva Jesus!! Ele ressuscitou!!! e no ressuscitou!!



O prefixo “ex” indica uma condição anterior que não é mais – algo que já foi e deixou de sê-lo – e isso se aplica às mais diversa áreas da vida humana, dos ex-profissionais aos ex-combatentes, dos ex-virtuosos aos ex-delinquentes. Quase tudo pode um dia ter sido, e hoje não ser mais. Um adulto é um ex-adolescente, que, por sua vez é uma ex-criança. O morto é um ex-vivo, mas, em princípio seria impossível a figura do vivo como ex-morto. Em Jesus de Nazaré inaugura-se a figura do ex-cadáver, inaugura-se o inusitado, inaugura-se a possibilidade dos “impossíveis”. Milagres dos milagres, pois Ele em vida tinha tornado possível o andar para ex-aleijados e o ver para ex-cegos, e com sua volta à vida Ele traz vida para todos os ex-mortos em seus delitos e pecados: dos ex-homicidas aos ex-religiosos.

O túmulo vazio vai preenchendo vazios, como foi feito com a terra na criação e como teremos algo radicalmente novo na Nova Criação da esperança escatológica: o Novo Céu, a Nova Terra, a Nova Humanidade, a Vida Eterna. Túmulo vazio que existiu porque antes existiu uma cruz sangrenta, porque antes existiu uma manjedoura. O Deus que tudo criou não é prisioneiro da sua criação, mas é capaz de promover a recriação: “Eis que faz novo todas as coisas”. Não há momento histórico, não há conjuntura, não há império, não há regimes políticos, não há modos de produção que sejam perenes. A História é uma sequência de “ex” pessoas, de ex-poderes, de ex-mil e uma coisas.

Todo o poder que foi dado ao ex-cadáver no céu e na terra, Ele soprou sobre uma parcela diferente e diferenciadora de gente: a Igreja, dando-lhes as condições para a realização da sua missão de trazer libertação e vida, vida em abundância, geradora de “novas criaturas”, que deixam para trás o que para trás fica.

Há quem considere o seu pecado imperdoável ou a sua situação insuperável. “Nasci assim e vou morrer assim”. Que equívoco de pensamento! No ex-cadáver o seu pecado poderá ser um ex-pecado e a sua situação uma ex-situação, qualquer que seja.

Há algum tempo estava lendo um texto de uma associação de ex-homossexuais do Canadá (com cerca de 6.000 associados), quando se consideravam infelizes, porque os de fora eram céticos quanto ao seu novo estado de vida, e os ex-companheiros de (des)orientação/opção erótico-afetiva os agrediam com um determinismo sexual ou predestinação erótica, decretando a impossibilidade de uma mudança, e, até, criminalizando o que concorresse para isso. Sob a Graça não há des-graça maior ou menor, nem “impossibilidades”.

Vive a Igreja sob nuvens espessas de uma tempestade que já dá sinais de que começou. Os analistas não sabem dizer o que nos será mais violento: se o Islã dos países não-cristãos ou o Secularismo dos países ex-cristãos. Uma nova era de martírio está em marcha, quando o liberalismo, o fundamentalismo, o sectarismo não são dados que colaborem para se fazer frente a esse “tempo trabalhoso”.

A Semana Santa terminou; semanas santas estão à nossa frente, porque o ex-cadáver reviveu e nos revivificou.

“Ele não está aqui, ressuscitou”, anunciou o anjo, a nós também.

Bem-vindo à confraria dos ex, que, cada dia, são mais ex.

Créditos:

irmão - Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano

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